Título tricolor da Série C completa 10 anos

Dia 3 de dezembro de 2011, às 17 horas, o torcedor do Joinville abarrotava a Arena para assistir o jogo que daria ao Tricolor seu primeiro título nacional. A goleada por 4 a 0 diante do CRB não só sacramentou a conquista da taça, como também coroou uma campanha histórica, a melhor de um time nas quatro divisões do campeonato brasileiro daquele ano.

O JEC chegava a Série C de 2011 como um dos promovidos da Série D do ano anterior. Sob o comando de Arthurzinho, o Tricolor havia conquistado a Copa Santa Catarina e chegava confiante para a competição nacional. Sorteado para o grupo D junto com Chapecoense, Santo André, Caxias (RS) e Brasil de Pelotas, o Joinville sofreu uma importante baixa dias antes do torneio. Um dos destaques do time, o atacante Lima sofreu uma séria lesão e desfalcaria a equipe por quase toda a competição.

Mesmo sem seu camisa 9, o Tricolor fez uma boa primeira fase. Com apenas uma derrota, se classificou na segunda posição, atrás apenas da Chapecoense. Na segunda fase, o Coelho reencontrou o o Verdão do Oeste no grupo F, junto com Ipatinga e Brasiliense. A boa largada com dois vitórias e um empate nos primeiros três jogos deu ao Joinville a condição de confirmar o acesso já na quarta rodada, contra o Brasiliense, no Distrito Federal.

A essa altura Lima já estava de volta e o ataque que, além dele, contava com Ronaldo Capixaba e Bruno Rangel, goleou a equipe amarela em plena Boca do Jacaré. Em Joinville a torcida se concentrou para assistir o jogo no Mercado Público, no Centro da cidade. Após a vitória, a festa tomou conta das ruas da cidade e só terminou na recepção dos atletas, já durante a madrugada na Arena. Com o acesso garantido, o JEC ainda venceu seus dois últimos jogos e se garantiu na final do campeonato contra o CRB.

Na decisão, um atropelo tricolor. Já no primeiro jogo, em Alagoas, vitória por 3 a 1. Na volta, a Arena registrou o que é até hoje seu maior público: 19.631 torcedores. A festa nas arquibancadas empurrou o time dentro de campo. Aos 45 da primeira etapa, Lima abriu o placar de cabeça. No segundo tempo veio a goleada. Aos 29 minutos, Eduardo rabiscou para cima da defesa adversária, driblou dois adversários e fez um golaço. Aos 34 minutos, Pedro Paulo recebeu belo passe de Ramon e fez o terceiro do Tricolor. Aos 41, o lateral Gilton fechou o placar em 4 a 0.

Com a cereja do bolo conquistada, o capitão Ricardinho ergueu o troféu e completou a festa na Arena Joinville.

O artilheiro

Apesar de Lima ter sido o grande nome da reta final da campanha, foi Ronaldo Capixaba quem mais balançou as redes na competição. O atacante marcou 11 gols e foi o grande artilheiro do campeonato.

A muralha

Ivan chegou ao clube no início daquele ano, após se destacar no Operário (PR) como adversário do JEC na Série D de 2010. O goleiro faria história no Tricolor. Ganharia dois títulos nacionais, faria mais de 200 jogos e seria o primeiro goleiro do Joinville a marcar um gol pela equipe.

O capitão

Ricardinho já estava eternizado na memória do torcedor tricolor com o gol que fez em cima do Avaí, em 2010. Mas o meia escreveu de vez seu nome na história do clube com o título da Série C no ano seguinte. Capitão da equipe, foi responsável por levantar a taça após a grande final.

O comandante

Arthurzinho chegou com um único e claro objetivo: o acesso. Unindo o grupo, o treinador se transformou em um dos grandes símbolos da conquista. Ovacionado pelo torcedor em todos os jogos após o acesso, Arthurzinho ganhou o apelido de Rei Arthur e foi homenageado até com bandeira na arquibancada.

Matador

Antes da Série C o atacante Lima era o grande nome da equipe. Porém, o atacante se lesionou dias antes da competição começar e teve que passar por cirurgia. O retorno aconteceu na segunda fase e foi suficiente para o atacante marcar seu nome na história daquela conquista. Lima marcou gols no jogo do acesso contra o Brasiliense e na final contra o CRB. Posterior mente o atleta se tornaria o maior artilheiro da história do clube com 140 gols.

In memorian

Maior artilheiro da história da Chapecoense, Bruno Rangel começou sua história no estado em Joinville. Na campanha da Série C o atacante marcou quatro gols e ajudou o Tricolor a conquistar o acesso. Depois, rumaria para Chapecó, onde faria história e seria uma das vitimas do trágico acidente de avião que vitimou 71 pessoas em 2016.

Outro atleta que já não está mais entre nós é o goleiro Max. O jogador foi protagonista do jogo da “virada da faixa”, conta a Chapecoense. Após lesão de Ivan, Max entrou em campo, defendeu um pênalti e foi um dos principais responsáveis pela vitória por 3 a 2 do Joinville. Em 2017, faleceu aos 42 anos após sofrer um edema cerebral.

A campanha

1ª fase
Brasil 1 x 1 Joinville
Joinville 2 x 1 Chapecoense
Joinville 2 x 0 Santo André
Caxias 2 x 2 Joinville
Santo André 1 x 1 Joinville
Joinville 2 x 4 Caxias
Chapecoense 0 x 2 Joinville
Joinville 5 x 2 Brasil

2ª fase
Joinville 1 x 0 Ipatinga
Chapecoense 1 x 1 Joinville
Joinville 4 x 1 Brasiliense
Brasiliense 1 x 4 Joinville
Joinville 3 x 2 Chapecoense
Ipatinga 0 x 1 Joinville

Final
CRB 1 x 3 Joinville
Joinville 4 x 0 CRB

Os artilheiros

Ronaldo Capixaba: 11 gols
Bruno Rangel: 4 gols
Lima: 4 gols
Aldair: 3 gols
Gilton: 3 gols
Pedro Paulo: 3 gols
Ricardinho: 3 gols
Eduardo: 2 gols
Glaydson: 1 gol
Ramon: 1 gol
Renato Silva: 1 gol
Galego (Brasil-RS): 1 gol contra
Raphael (Brasiliense): 1 gol contra

Elenco campeão

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